terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Instante de reflexão ( de natal)

Nascer é florir na árvore mágica da humanidade, é crescer como parte de um planeta chamado família, é dar frutos sãos e pacíficos todos os dias como uma fonte que se regenera nos subsolos da vida , nascer é sorrir com os lábios imperativos da alma , enfim, cada instante traduz um vir ao mundo diferente pois viver é reinventar-se no desenvolver dos passos... sejamos mais felizes a cada minuto.


Feliz Natal a todos,
Marcos André Carvalho Lins

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Amor

A vocação do ser humano é amar, toda construção humana deve ser nesse sentido. Mas qual o real significado desta palavra com tantos significados diferentes? Amar seria simplesmente simpatizar, criar vínculos de cuidado, de esmero, de preocupação? Ou seria ter uma química qualquer que lhe afete os sentidos e te leve de órbita? Amar seria também ter compaixão, saber perdoar? Há quem diga que amar é perder a razão, é colocar o outro a frente de si mesmo?

Amar, ao nosso ver , é tudo isso e quanto mais se ponha nessa expressão ainda é pouco. Pois amar é acima de tudo dedicação, doação. Quando dedicamos um minuto do nosso tempo a alguém por mais insignificante que esse instante nos pareça, isso é amor. Não há necessidade da química perfeita nem da simpatia a toda prova, pois esses conceitos invadem mais a seara da paixão, que não deixa de ser um sentimento belíssimo, e uma forma de amor intensa e vibrante que infelizmente se esgota no tempo. Não deveria. a paixão assim como o amor é fundamental na existência humana, a paixão nos move adiante, nos faz procurar a nossa humanidade em tudo que fazemos. Assim quando cede a paixão deve permanecer o amor.

O amor, talvez, seja a
melhor maneira de resguardarmos os frutos das nossas paixões e tentarmos construir algo sólido dentro da desorganização inicial provocada pelos nossos impulsos. O primeiro passo do homem na lua foi o resultado de séculos a contemplar o desconhecido e se encantar com a natureza, buscar é uma paixão do homem desde sempre e nessa busca ele deve sempre agir com paixão, mas os conflitos gerados pelos ímpetos e saltos para o futuro devem ser sempre solucionados pelo amor, mais racional ou mais emocional, o amor não deve refletir um mero momento, mas embasar todos os momentos, pois sem respeito entre os seres não há nada a ser construído nem transformado. o respeito é a melhor maneira de vivenciar o amor em todas as suas formas, de criar o ambiente salutar necessário para os nossos arroubos de paixão. o respeito é a mais linda forma de amor pois infinito.


Marcos André Carvalho Lins

A verdade sentida

Não existem verdades absolutas fora da realidade física, pois todas as demais dimensões do real são formadas por pseudo-verdades, verdades em construção, não raro, paradoxais, contraditórias, carentes de uma coerência que jamais será satisfeita posto que as verdades não vieram para traduzir segurança mas apenas para nos servir de ponto de partida. Até os limites da nossa realidade física já estão sendo questionados pela ciência e pela tecnologia, hoje até uma pedra pode falar e ter mais a dizer do que muito ser humano. Liberdades poéticas a parte, afora os limites do meio físico (interno e externo) não há outras barreiras intransponíveis além, óbvio, da nossa consciência que em poucas palavras nos diria: não prejudicar, nem agredir, sem extrema necessidade, a obra do homem ou a obra do criador, pois todas elas devem repercutir e respaldar a liberdade de homens livres, homens que hajam conforme sua consciência, de si e do outro, sob a égide do respeito infinito.

A identidade homossexual seria uma verdade absoluta? Penso que sim, posto se tratar de atributo físico de origem e desdobramentos pouco conhecidos e investigados, mas completamente condizentes com a vocação natural do ser humano para o amor, e o fim último do mesmo, a construção e perpetuação de um espaço e um tempo no qual se possa parir seres inteiros, que possam sentir e amar inteiramente, expressando todo seu potencial criativo em liberdade e igualdade com os seus pares. (Ou, ao menos, algo bem próximo disso, pois hão de existir sempre utopias comandadas pelas esperanças de futuro melhores).

A homossexualidade não é, nem deveria ser, encarada como um problema ,ou uma mera adaptação da heterossexualidade, mas como apenas uma maneira menos usual de expressão integral e legítima dos sentimentos e condução do prazer , requisitos essenciais a consumação da humanidade presente em cada ser, para uma vida plena e para a construção de um mundo livre, em paz.


Marcos André Carvalho Lins

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A cultura não é indeferente aos sentimentos

O maior patrimônio cultural de um povo são seus sentimentos, a maneira como cada grupo social expressa o que sente, e o que pensa sobre o que sente, traduz não só uma linha comportamental definida como também uma postura ética enriquecida em nuances como respeito ao próximo e tolerância. Não se pode imaginar o termo Cultura dissociado de uma conduta de aceitação e compreensão das diferenças, sejam essas étnicas, sociais ou de gênero, pelo simples fato de que toda Cultura reflete um sentimento de mundo particular e plural, onde a opinião de cada indivíduo é construída sempre em respeito à necessidade de preservação do todo, numa relação inegavelmente dialógica. Em outras palavras, dentro de qualquer percepção de Cultura há de se levar em conta a somadas vontades individuais, e dos sentimentos que as condicionam, dentro de uma perspectiva teleológica de edificação de um futuro melhor e manutenção da sua força motriz: a Esperança. Em sendo o Homem um animal social e temporal, não se pode elidir do conceito de Cultura a imensa e inesgotável discussão sobre a descoberta pessoal de cada um dentro de uma realidade “imposta” por outrem, pois é sabido que quando se nasce já se “pega o bonde andando”. Portanto, é justamente do conflito entre os sentimentos e a realidade aparente, exígua e instável, que se produzem as práticas culturais, que, uma vez reiteradas no tempo, acabam por influenciar a própria maneira de sentir e de exteriorizar esses mesmos sentimentos. Cultura, então, pode-se dizer, apenas existe quando em função de uma convivência harmônica e partidária entre seres desiguais que comungam da certeza fundamental: ninguém é melhor do que ninguém, pois eu só posso começar onde termina o outro. Viva a diversidade!


Marcos André Carvalho Lins

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

CULTURA COMO PERSPECTIVA

Um pensamento é carregado de fatores culturais. No momento em que pensamos, realizamos um juízo de valor, uma valoração do real, passamos a alimentar a cadeia do irreal. Explico: a relação ou produto cultural apenas possui consistência enquanto livre de uma manipulação subjetiva, enquanto objetivamente observado. Isso porque, uma encenação, por exemplo, é o que é, devido à liberdade de acesso às suas mais diversas formas e camadas interpretativas.

Em outras palavras, apenas persiste a cultura quando dotada de uma personalidade plural e inconseqüente consigo mesma. Não se pode seccionar o produto do fazer cultural, de acordo com a visão própria de cada ser que, para ela, dirigiu, por um instante qualquer, o pensamento. Um único olhar não define os horizontes culturais de um produto. Assim como, o criador não deve prender-se a críticas ou censuras, de qualquer sorte. Deve, outrossim, interagir com todos os matizes de pensamento e apresentar algo de lúdico no processo criativo. Fazer arte afinal, como diriam alguns, é brincar de Deus.

Por outro lado, cada resultado de uma criação possuirá “n“ fatores de absorção positivos, e sempre “n+1” negativos. As dificuldades de divulgação e compreensão de uma proposta inovadora são sempre seu calcanhar de Aquiles.

Como explicar então modismos e sucessos de bilheteria?

Nossa visão aponta para uma cultura não consensual como meio de extrapolar a própria noção de Liberdade. Melhor dizendo: cada sociedade possui uma consciência latente, expectativas, sonhos e padrões de comportamento previsíveis. O realizador cultural, no que se aproxima mais da comunidade, estando geralmente nela inserido, tende a captar tais nuances e a trabalhar em cima deles. Muitas vezes, sem se dar conta, espontaneamente; outras vezes de caso pensado, maliciosamente, de modo a atingir um espectro o mais generoso possível de expectadores ou compradores para seu produto.

O grande capital, ou o capital financeiro, converge sempre no sentido de tolher manifestações artísticas inovadoras, pois se trata da conservação do “status quo” , principal meta dos investidores. Num só tempo, a cultura busca o caminho inverso, associar-se à chamada vanguarda, produzindo sempre o que menos se espera, ou o que mais improvável nos possa parecer como receptores culturais. Ao realizador cultural cabe surpreender o público. Mas como fazê-lo quando este não o quer ou simplesmente não está preparado para ser instigado?

Uma pergunta se impõe: existe atualmente alguma mutação cultural a qual podemos denominar Vanguarda? O que seria hoje uma cultura de vanguarda?

Parece-nos um contra-senso, explicar uma vanguarda a partir do próprio presente. Menos pretensioso seria, nos nossos dias, adotarmos o termo “experimental”. De cultura experimental denominaríamos aquela fatia do fazer cultural descompromissada com resultado comercial, com o lucro e , paradoxalmente, com sua própria existência duradoura. Não que a cultura de alguma maneira possa preterir o apoio e a ovação pública, mas ela pode preferir como alvo setores mais afastados da base piramidal, atingir uma elite, muito embora não necessariamente se torne erudita ou elitista.

A diferença está na liberdade de escolha! O público a ser atingido por produtos mais sofisticados, de conteúdo mais inquisitorial, investigativo da natureza humana, é o mesmo de produções para as grandes massas. Não obstante, apenas a autonomia de escolha deverá definir se o alvo está preparado, ou não, para uma abordagem mais profunda de seus próprios valores. Não se foge aos padrões, na maioria das vezes, ocorre o oposto: procura-se exorcizar todos os paradigmas, reforçando, num primeiro instante, a existência inconsistente dos mesmos.

O ideal é a convivência harmoniosa e saudável entre todos os diversos gostos culturais, abrindo-se espaço para o experimentalismo, tanto dentro como fora do eixo motriz dos grandes centros urbanos. Hoje, porém, acontece uma metástase centralizada: apenas um grupo seleto acessa o que há de novo no circuito cultural e aquele é sempre o mesmo, pouco se renova, embora permaneça se multiplicando numericamente.

Por outro lado, se observarmos os folguedos populares, por exemplo, vamos perceber que neles já existia muito do que agora decidimos denominar de experimental. O próprio nascedouro de manifestações mais próximas da população mais esquecida pelo Estado e pela mídia é justamente o aspecto questionador e contestador de costumes da sua época.

No entanto, quanto mais “popular” (no sentido de alcance às mais diversas camadas sociais) o evento ou aparição cultural, menor seu potencial de escapar da “folclorização”. O grande capital impede a ascensão de ações culturais libertadoras simplesmente condecorando-as com o título de “folclore”. O que é o nosso folclore senão uma forma de mitigar a abrangência e o impacto de tradições culturais importantes, mas que evocam características desinteressantes a uma visão mais conservadora (e mercadológica) dos fenômenos culturais?

Precisamos, com urgência, resgatar nossas manifestações “folclóricas” do limbo, tornando-as parte integrante do nosso calendário cultural. Permitindo sua oxigenação, sem deixar de lado sua essência experimental. É mister educar a nação através dela mesma, isto é, criar no próprio nacional a desmistificação do caráter experimental do fazer artístico. Presenteando, com o mesmo espaço, culturas, aparentemente, em Tempos completamente distintos.


de Marcos André Carvalho Lins