O veneza de brasileiros inaugura um novo espaço de reportagens: aqui , no “Em tempo...”, você verá um resumo de fatos da nossa história que não podem ser esquecidos. A história que sangra, ainda, no veio da vida particular de determinada comunidade.Por aqui passarão desde fatos históricos que não podem ser simplesmente varridos da memória, até as formas muito peculiares dos povos oporem resistência contra a ditadura do consumo e da mesmice. Trata-se de reportagens engajadas sobre história, religião, arte e afins, de uma maneira sintetizada, sem , todavia, deixar o essencial de lado.Nesse mês, destacamos uma matéria especial sobre o Sudão e os seus conflitos internos: você vai entender o porquê dos fatos por trás das notícias e , Em Tempo, vai ficar por dentro dos motivos que levaram a um dos maiores genocídios já ocorridos na humanidade...“Em tempo...”chegou para ficar e não deixe de visitar esse novo espaço, construído com o que de mais interessante há em fatos e números...
SUDÃO: A GUERRA SEM FIM

Números:
Área: 2,5 milhões de quilômetros quadrados
População: 40 milhões
Religião: 70% muçulmano
Economia: 80% da população ativa na agricultura
Vítimas: mais de 400.000 mortos e mais de 2.000.000 de refugiados,
é o saldo de 2003 para cá só na região de Darfur. De 1983 pra cá foram cerca de dois milhões de mortos e seis milhões de refugiados em todo o território sudanês.
Datas: 09/01/2005, depois de três anos de negociação, são assinados os acordos de Nairobi, no Quênia, entre o líder rebelde do SPLA (exército de libertação do povo sudanês) John Garang e o vice-ministro de Cartum, Ali Osman Taha, pondo fim a guerra civil entre o norte e o sul do país. Em maio de 2006, foram acordados os termos de paz com os insurgentes de Darfur, sem sucesso até aqui.
O que são os acordos de Nairobi?
Eles , em tese, dividem o Sudão em duas partes independentes entre si, norte e sul, cada uma com governo e exército próprio.
Mas apenas por um período de seis anos, tempo que terá o sul para avaliar se quer ou não separar-se do norte. Mas a parte mais interessante desses acordos é a que estabelece uma divisão igualitária nas royalties incidentes sobre o lucro do petróleo entre norte e sul, petróleo este de origens sulistas.
Quais os motivos dos conflitos?

As motivações são muito complexas. Tudo aponta para uma imposição do norte de uma pretensa hegemonia sobre o sul.
Desde a independência, 1956, os governos árabes e muçulmanos do norte , tentam forçar o sul e a população do monte Nubas a se sujeitar às regras de conduta árabes e muçulmanas. Chegou-se ao absurdo do norte declarar a Jihad, guerra santa islâmica, contra os povos do sul e monte Nubas, obrigando a conversão ou a morte. Há, todavia, forte tendência em se acreditar que a guerra teria tomado outros caminhos, não fosse a pressão internacional. Visto que o Sudão é rico em petróleo, principalmente na região sul, justamente o local de embate entre guerrilha e governo, há quem veja na passagem do controle da produção de ouro negro das mãos americanas para um consórcio sino-indonesiano exportador um argumento importante para justificar uma influência significativa dos EUA nos rumos dos conflitos sudaneses.
Um conflito mais recente, do que norte versus sul, ocorre na região de Darfur, a oeste do país, onde a milícia Janjaweed ( guerreiros sobre cavalos, em árabe ) invade as aldeias de agricultores, matando, expulsando e consumando a barbárie
entre os nativos.
O conflito:

Considerado o primeiro grande genocídio deste século, o conflito de Darfur, torna frágil a paz declarada em Nairobi. Em meados de 2004 , a anistia internacional já divulgava o estupro e a tortura, utilizadas pelas milícias árabes, pró-governo do Sudão, como arma no conflito com grupos de africanos não árabes em Darfur. A anistia internacional acusa a comunidade internacional de não se empenhar o suficiente para proteger as mulheres em Dafur, assim como nos campos de refugiados do país vizinho, Chad, para onde muitas fugiram.
Uma forma de ajuda vem sendo dada através de entidades humanitárias, como a organização dos médicos sem fronteiras, que conta com 200 profissionais estrangeiros e 2000 profissionais locais trabalhando em toda região de Darfur.

O conflito em Darfur perpetua-se até os nossos dias, sob as vistas de observadores internacionais e o pouco interesse da mídia. Hoje a região é monitorada e acompanhada de perto por forças da União Africana (UA), mas após diversas tentativas de solução não se alcançou um desfecho razoável. O atual presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad Al-bashir, afirmou recentemente que os problemas sudaneses em Darfur serão resolvidos pelo diálogo e na mesma oportunidade rechaçou a participação mais efetiva de tropas da ONU, em parceria com as forças africanas. A china, parceira de grandes empreitadas sudanesas, também pressiona por resultados. Até agora Bashir só aceitou o envio de uma missão de paz formada por membros da UA e da ONU. Não obstante, cada vez mais pessoas são esmagadas pelo embate ou deslocadas sem um destino certo.
Alguns links interessantes:
www.vermelho.org.br
www.msf.org.br/notícias
www.30giorni.it/br
pt.wikipedia.org/wiki
Texto & Pesquisa: Marcos André Carvalho Lins
Links das imagens:
http://www.flickr.com/photos/aaronpics/138747770/
http://www.flickr.com/photos/aaronpics/138747763/
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Todas as imagens possuem licença Creative Commons
Pesquisa: Osvaldo Barreto
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