Esse fato histórico e biológico nos proporciona uma posição peculiar no mundo extremamente radicalizado quando o assunto se refere às questões étnicas.
A miscigenação dos povos que aqui se instalaram, colonizaram e construíram a nossa história, se manifesta agora no sangue, isto é, no DNA.
Segundo a reportagem “MISCIGENAÇÃO DIFICULTA DOAÇÃO FORA DA FAMÍLIA”, veiculada no Jornal “O POPULAR”, Caderno Cidades, matéria de Malu Longo e publicada em 29/03/07, a miscigenação do nosso povo motivou a formação de um banco de doadores voluntários de medula óssea, haja vista que as chances de encontrar um doador compatível é pequeno, devido ao cruzamento étnico que alterou os genes que compõem o DNA, o que resultou, podemos assim dizer, na ETNIA BRASILEIRA.
De acordo com a reportagem, os potenciais doadores voluntários da medula óssea têm os Antígenos Leucocitários Humanos (em inglês HLA), proteínas que se localizam na superfície de todas as células do corpo, cadastradas num Banco de Dados, o REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), para aumentar as chances de transplante de Medula Óssea no tratamento da leucemia. Além desse banco, há também o Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME) e o Banco de Células Tronco de Cordão Umbilical Público (Brasil Cord).
No ano de 2003, só 11% do material colhido e oferecido foi aproveitado. Já em 2006, o número de doadores aumentou 70%, correspondendo a, mais ou menos, 300 mil doadores. O Brasil necessitaria de um milhão de doadores e as chances de encontrar um doador compatível fora da família é de 1(um) em 100mil doadores. Isto graças a campanhas para doações voluntárias.
É grande a resistência à doação de medula óssea, por desconhecimento do procedimento e do que seja a medula óssea.
A medula óssea é o líquido que ocupa o interior dos ossos, também chamado de TUTANO, sendo que é no interior deles que se forma o sangue e não se deve confundir com a medula espinhal. Esta é um tecido nervoso e preenche o espaço dentro da coluna vertebral (espinhal).
O procedimento de doação é simples e rápido, aproximadamente 90 minutos e apenas 10% (+/- 4 a 8 punções) de medula óssea é retirada da pélvis (quadril). O risco é praticamente nulo e em algumas semanas a recomposição da medula está completa.
O transplante é feito por transfusão e o paciente está, em questão, também, de semanas, produzindo novas células. As chances de cura são animadoras.
Cabe aqui uma reflexão sobre uma recente entrevista da ministra da Promoção da (Des) Igualdade Racial a BBC Brasil, quando declarou que “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso”.(Revista Veja, ed. Nº 13 de 04/04/07- p.60). Será que a ministra tem informação sobre a existência desse BANCO e também conhecimento da razão da criação do mesmo? Depois de tal declaração, acredito que não.
Não há possibilidade de reverter a miscigenação do nosso povo. A grandeza e o alcance desse fato é fantástico e belíssimo.
O contexto histórico da escravidão e injustiças sociais que contribuíram para que isso ocorresse, é sem sombra de dúvida, vergonhoso, contudo nos proporcionou a oportunidade de nos autodeclararmos como ÚNICOS.
Se conseguimos sobrepor a “pureza” das comunidades européias, asiáticas e outras, logicamente, conseguiremos sobrepujar também as diferenças de cor de pele, de poderio econômico e diferenças religiosas (isto é outro assunto). A nossa miscigenação é irreversível, diante dos fatos científicos acima mencionados.
Cabe lembrar que as etnias que aqui desembarcaram tiveram sim a intenção de fincar raízes e buscar novas oportunidades e (inclusive formar família) a miscigenação foi uma conseqüência natural e o preconceito sistematicamente superado, o que torna a declaração da ministra no mínimo imprópria, para não classificar de outra forma.
A afirmação de que somos uma Etnia ÚNICA está mais que comprovada, devemos destarte assimilar essa genialidade e incorporar a singularidade também nas questões sociais.
Talvez a promessa bíblica de que “haverá um só povo e um só Deus” teve início no momento em que aqui chegaram os europeus, asiáticos e negros à procura da terra “onde corre leite e mel”. Quem sabe somos nós o povo prometido, entretanto, para que isso ocorra teremos que saber escolher melhor nossos representantes para que não haja risco de sermos surpreendidos com declarações bizarras que ferem a alma da ETNIA BRASILIS.
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Em Goiânia, as informações sobre transplantes podem ser buscadas no Centro de Hemoterapia e Hematologia de Goiás – Hemog, localizado à Av. Anhanguera, 5195 – Setor Coimbra ou acesse: www.ameo.org.br
Brigitte Luiza é professora e bacharel em direito. Gosta de literatura, música, filmes, filosofia. Pós graduada em Gestão e Políticas Públicas.É de Goiana, descendente de alemães e poloneses.É católica,não carismática. É também colaboradora do site Overmundo.
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