domingo, 27 de maio de 2007

Esqueceram de Você, Professor!?


(Prof. Frei Marcos/Foto de Brigitte Luiza)

Nunca se discutiu tanto sobre a Educação como também nunca se cobrou tanto do governo investimentos nessa área. E o que se tem feito para desafogar o Sistema Educacional Brasileiro de seus eternos problemas? Praticamente nada.

Ao longo da nossa história, a área educacional tem sido mantida à margem dos investimentos em novas tecnologias pedagógicas e valorização do magistério. A qualidade do ensino está atrelada à capacitação (como forma de profissionalizar) e à remuneração compatível que proporcione condições de atualização e também como forma de sobrevivência.

Recentemente foi lançado pelo Presidente Lula o Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE), apelidado pela mídia de PAC da Educação, chamando a atenção imediata à criação de um piso salarial nacional para os trabalhadores da educação.
A proposta do piso salarial apresentado (R$850,00) não cobre anos de estudos, nem proporciona condições de sobrevivência compatível com a classe dos docentes.
Alguns dados sobre a política salarial dos professores no continente europeu podem nos nortear sobre as condições dos professores brasileiros.

Na Alemanha, o professor tem formação superior, com especialização em pelo menos duas áreas do conhecimento, jornada de trabalho de 21h/semanais mais horários de planejamento; ano letivo de 185 dias (média); férias de 12 semanas anuais e salário inicial de 2.800 dólares/mês.

Temos então a Espanha, onde o professor tem formação superior, jornada de 30/h/semanais; ano letivo de 175 dias; férias de 11 semanas/ano; salário inicial 30mil dólares/ano; 13º salário em julho e 14º salário em dezembro.

Um terceiro país a ser citado é a Finlândia. Lá o educador também tem formação superior; jornada de 35h/semanais; ano letivo de 190 dias; férias 14 semanas/ano; salário inicial 2060 dólares/mês com acréscimo de 3% para quem trabalha em grandes cidades e regiões remotas do país. Há ainda bonificações em férias e feriados. *
Tomemos, agora, o Brasil, onde os professores têm formação em nível médio e superior, jornada de 20 ou 40h/semanais; ano letivo de 200 dias; férias de 4 semanas/ano mais recesso de Natal e Ano Novo; salário inicial de 200 a 400 dólares/mês. Benefícios: 13º salário e bonificações por tempo de serviço, variando de acordo com a rede, o município e o Estado.

Não se quer aqui realçar o valor dos salários, logicamente é um diferencial que nos coloca em desequilíbrio acentuado com os países exemplificados. O que deve-se, também, levar em consideração são os dias letivos, formação e a jornada de trabalho.
Com uma jornada de 40h/semanais e mais planejamento e horas dedicadas aos trabalhos escolares dos alunos, com um salário irrisório, é inviável manter capacitação, leituras, formação continuada, etc.

A sociedade, tanto quanto os docentes, reconhecem a impossibilidade da equiparação salarial com os professores europeus, mas todos também reconhecem que a valorização do magistério é Urgência, Urgentíssima, sob pena de queda acelerada da qualidade de ensino, aliás, o que já vem ocorrendo, e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.

E a Educação segue em frente, com mais um Plano de Desenvolvimento da Educação para enfrentar problemas do milênio passado.

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*Fonte: Revista Escola/ Abril

Brigitte Luiza é professora e bacharel em direito. Gosta de literatura, música, filmes, filosofia. Pós graduada em Gestão e Políticas Públicas.É de Goiana, descendente de alemães e poloneses.É católica,não carismática. É também colaboradora do site Overmundo.

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