Recentemente foi lançado pelo Presidente Lula o Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE), no qual um item tem empolgado alguns setores da sociedade e a classe de professores: a distribuição de laptops aos alunos da rede pública de ensino, ao custo de 100 dólares cada. Uma notícia um tanto alvissareira para a educação.
No entanto a inclusão digital já acontece nas escolas desde 1999, capacitando alunos e professores no uso da informática educacional e abrange de maneira integrada as várias modalidades de comunicação e informação (TV, Vídeo, Cinema, Rádio, Informática).
Em 1997 o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Informática na Educação – PROINFO- da Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação e do Desporto – MEC, por meio da Portaria 522 para promover o uso da teleinformática como ferramenta de enriquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio.
O programa funciona de forma descentralizada. Sua Coordenação é de responsabilidade federal e a operacionalização é conduzida pelos Estados e Municípios
Em cada unidade da Federação existe uma coordenação estadual pedagógica cujo trabalho principal é o de introduzir as tecnologias de informação e comunicação – TIC’s nas escolas públicas de ensino médio e fundamental.
Mas e os custos? E o PROINFO? Porque não desenvolver um laptop nacional, com um custo, provavelmente, menor?
Segundo a Revista Nova Escola, edição 203, Junho-Julho/2007, não existe laptop a 100 dólares cada. O custo mínimo gira em torno de 175 a 250 dólares cada.
Ainda segundo a Revista Nova Escola, o programa PROINFO continuará com o propósito de montar laboratórios de informática.
O que entristece é saber que não há garantia de melhoria na qualidade de ensino, pois nos EUA o mesmo programa (One Laptop Per Children-OLPC) não obteve sucesso (como já publicado em sites relacionados à informática) vez que os alunos se ocuparam em acessar sites estranhos às atividades escolares. Desse modo, é notório que a Microsoft está de olho no mercado brasileiro para lucrar o que não lucrou nos EUA.
A inclusão digital tão sonhada pelos educadores deve ser retardada ainda mais, dados os descaminhos das verbas públicas para o setor. Sem investimento em infra-estrutura, muitos municípios não poderão receber os laboratórios de informática do PROINFO por falta de energia elétrica e/ou telefonia.
O programa LUZ PARA TODOS, que tem por objetivo levar energia elétrica aos mais distantes rincões do Brasil, essencial para a montagem de laboratórios de informática, recebeu um duro golpe com o escândalo envolvendo a construtora Gautama, superfaturando as obras públicas destinadas ao programa de energia.
A inclusão digital efetivamente só ocorrerá quando se aplicar a exclusão das digitais dos predadores grupos de interesse que agem livremente nos bastidores das instituições públicas. Enquanto isso não acontecer, mais notícias escandalosas ocorrerão, e a capacitação tecnológica ficará relegada a segundo plano, quiçá, terceiro.
Fonte: NOVA ESCOLA
www.novaescola.org.br
Brigitte Luiza é professora e bacharel em direito. Gosta de literatura, música, filmes, filosofia. Pós graduada em Gestão e Políticas Públicas.É de Goiana, descendente de alemães e poloneses.É católica,não carismática. É também colaboradora do site Overmundo.
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