quarta-feira, 27 de junho de 2007

A inclusão digital da era Lula


Recentemente foi lançado pelo Presidente Lula o Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE), no qual um item tem empolgado alguns setores da sociedade e a classe de professores: a distribuição de laptops aos alunos da rede pública de ensino, ao custo de 100 dólares cada. Uma notícia um tanto alvissareira para a educação.

No entanto a inclusão digital já acontece nas escolas desde 1999, capacitando alunos e professores no uso da informática educacional e abrange de maneira integrada as várias modalidades de comunicação e informação (TV, Vídeo, Cinema, Rádio, Informática).

Em 1997 o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Informática na Educação – PROINFO- da Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação e do Desporto – MEC, por meio da Portaria 522 para promover o uso da teleinformática como ferramenta de enriquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio.

O programa funciona de forma descentralizada. Sua Coordenação é de responsabilidade federal e a operacionalização é conduzida pelos Estados e Municípios

Em cada unidade da Federação existe uma coordenação estadual pedagógica cujo trabalho principal é o de introduzir as tecnologias de informação e comunicação – TIC’s nas escolas públicas de ensino médio e fundamental.

O programa de distribuição de laptops deverá ser implantado aos poucos. Seis escolas da Federação estão testando os modelos adquiridos pelo Governo Federal. As escolas pioneiras são do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Tocantins. Os Estados da região Centro-Oeste e Nordeste receberão os equipamentos só depois de testados e aprovados por meio de relatórios enviados ao MEC.

Mas e os custos? E o PROINFO? Porque não desenvolver um laptop nacional, com um custo, provavelmente, menor?

Segundo a Revista Nova Escola, edição 203, Junho-Julho/2007, não existe laptop a 100 dólares cada. O custo mínimo gira em torno de 175 a 250 dólares cada.

Ainda segundo a Revista Nova Escola, o programa PROINFO continuará com o propósito de montar laboratórios de informática.

O que entristece é saber que não há garantia de melhoria na qualidade de ensino, pois nos EUA o mesmo programa (One Laptop Per Children-OLPC) não obteve sucesso (como já publicado em sites relacionados à informática) vez que os alunos se ocuparam em acessar sites estranhos às atividades escolares. Desse modo, é notório que a Microsoft está de olho no mercado brasileiro para lucrar o que não lucrou nos EUA.

A inclusão digital tão sonhada pelos educadores deve ser retardada ainda mais, dados os descaminhos das verbas públicas para o setor. Sem investimento em infra-estrutura, muitos municípios não poderão receber os laboratórios de informática do PROINFO por falta de energia elétrica e/ou telefonia.

O programa LUZ PARA TODOS, que tem por objetivo levar energia elétrica aos mais distantes rincões do Brasil, essencial para a montagem de laboratórios de informática, recebeu um duro golpe com o escândalo envolvendo a construtora Gautama, superfaturando as obras públicas destinadas ao programa de energia.

A inclusão digital efetivamente só ocorrerá quando se aplicar a exclusão das digitais dos predadores grupos de interesse que agem livremente nos bastidores das instituições públicas. Enquanto isso não acontecer, mais notícias escandalosas ocorrerão, e a capacitação tecnológica ficará relegada a segundo plano, quiçá, terceiro.

Fonte: NOVA ESCOLA

www.novaescola.org.br

Brigitte Luiza é professora e bacharel em direito. Gosta de literatura, música, filmes, filosofia. Pós graduada em Gestão e Políticas Públicas.É de Goiana, descendente de alemães e poloneses.É católica,não carismática. É também colaboradora do site Overmundo.

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