
A frase dos pais mudou de uns tempos para cá, antes se falava “meu filho, estude para ser doutor para conseguir um bom emprego...” agora se diz “meu filho estude para passar um concurso público ou não terás paz e tranqüilidade...”. A admiração, antes pelos médicos, engenheiros e advogados, agora é pelo fiscal de renda, auditor da receita ou outros cargos públicos.
O Brasil força seus filhos com nível superior ou não a buscar oportunidades nos concursos públicos, pois é onde se encontra estabilidade e os melhores salários. O número de inscritos é enorme e com isso surgiu um novo mercado, o dos concursos. Foram criados cursinhos preparatórios, apostilas especificas, livros, enfim, uma infinidade de “comercio” baseado nos concursos (além das inscrições é claro.) até turismo, com excursões para os locais de prova. Nos dias 14 e 15 de abril último, na cidade de João Pessoa, os hotéis tiveram uma ocupação de fazer inveja na alta temporada, 100%. Até as pousadas estavam lotadas, o motivo não foi carnaval fora de época nem o verão nordestino, o grande causador foi o concurso do TRE da Paraíba. A cidade foi invadida por milhares de “turistas” ansiosos em se tornar moradores da mesma.
Não recrimino a existência destes, contudo é preciso haver um equilíbrio entre as ofertas das iniciativas privadas e públicas e o que acontece é que a primeira está em déficit causando uma corrida para o outro lado. Não existem oportunidades em número suficiente para compensar a enorme demanda e a insegurança, acompanhada dos baixos salários, associados a “escravidão” de jornadas de trabalho de mais de 40 horas semanais sem se falar na total abnegação exigida pelos empregadores, deixando as famílias, alicerces de nossa sociedade, em segundo ou terceiro plano, fazem dos cargos concursados um porto seguro para a massa assalariada.
O movimento é tão forte que influencia até os cursos universitários, a participante do Big Brother Carol comentou no programa, em diálogo com o “Alemão”, que queria terminar o curso de direito e fazer um concurso para se realizar. E isso é verdade! A procura pelo curso, acima mencionado, é enorme, não pelo mérito de ser um advogado, e sim por ser a área que mais vagas específicas possui além de servir de base a todas as outras, no geral. Os engenheiros hoje são forte concorrentes nas áreas fiscais e cargos administrativos devido ao preparo durante a faculdade e experiência adquirida na profissão. Ou seja, as careiras ficaram de lado ou se tornam atividade de renda extra.
Enquanto existirem vagas a serem preenchidas ainda restará um sonho “profissional” para nós, população de classe média brasileira, contudo deixo uma pergunta no ar, o que será dos nossos anseios, o que nos motivará enfim, qual será nossa meta quando as vagas acabarem?
Texto e Imagem de André Calado.
Engenheiro, residente em Maceió, e possui algumas colaborações no site Overmundo.








0 comentários:
Postar um comentário