Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007

Voluntariado: o exemplo da UNILUZ


“Trabalhador voluntário é aquele que se dedica sem interesse algum financeiro, mas que tem uma proposta bem maior do que o dinheiro, qual seja, servir ao semelhante. Mais importante para o trabalhador voluntário é a disposição de fazer algo, em benefício de alguém, puramente sem interesse, mas doando de si, amor , dedicação.” Assim nos definiu Lúcia Simões, coordenadora adjunta do núcleo de promoção social da UNILUZ. A UNILUZ é uma entidade sem fins lucrativos, que visa educar o ser humano de modo abrangente, seguindo os preceitos da Doutrina Espírita. Seria um centro espírita, como se costuma chamar comumente, onde todos os envolvidos são voluntários. “Há os voluntários atuantes, devidamente cadastrados, e os voluntários assistidos, ou seja, aqueles receptores dos benefícios do voluntariado, que não deixam, por isso, de se doarem também um pouco para o engrandecimento daqueles dispostos a prestar-lhes alguma forma de auxílio gratuito.” Observa Lúcia.

Mas como ser um desses voluntários?

Na UNILUZ , assim como em muitas outras entidades do gênero, não é necessário muita coisa, apenas se apresentar à casa , demonstrar boa-vontade e se engajar num dos diversos segmentos de auxílio. Há legalmente a exigência de assinar um termo que caracterizaria a ausência de um vínculo empregatício, obrigações de natureza trabalhista, previdenciária, ou afim. Essa ficha de adesão traz os dizeres da lei 9.608, segundo a qual, o serviço voluntário seria uma atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública, de qualquer natureza, ou instituição privada de fins não-lucrativos, que tenha como objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social.

Passa-se também por um bate-papo inicial para que se possa verificar o grau de comprometimento do pretendente a voluntário e os encargos compatíveis com as sua potencialidades. Nessa oportunidade ainda são dadas as orientações quanto ao “modus operandi” da instituição. O voluntário é orientado em relação às suas funções e ao andamento da casa espírita como um todo. Encontra-se em fase de reestruturação o regimento interno, que deve facilitar sobremaneira a atuação dos voluntários e suas limitações. Vale lembrar que ocorrem periodicamente cursos e encontros para voluntários no âmbito da própria entidade com fins de aperfeiçoamento dos mesmos.
Pode-se distinguir três formas básicas de auxílio: as
atividades de logística, mais voltadas para a manutenção da própria instituição, como por exemplo, a parte de recepção, livraria, biblioteca, secretaria, etc. As ações evangelizadoras, cujo teor também é ministrado por voluntários, devidamente capacitados. E as atividades de promoção social, propriamente ditas, que dizem respeito à assistência do ser integral procurando suprir suas carências , não só materiais como também espirituais, através de ações esclarecedoras e evangelizadoras ( no caso específico da Uniluz, dentro dos caminhos da doutrina Kardecista ).

A PROMOÇÃO SOCIAL


Ainda tendo como parâmetro a UNILUZ, destaca-se um
aspecto importante aos nossos olhos: o assistencialismo paternalista como algo distinto da promoção social. Num primeiro momento, a entidade tendeu ao assistencialismo, chegando a cadastrar vinte e cinco famílias para uma ajuda efetiva material através da distribuição de cestas básicas, entre outros donativos ( além do encaminhamento espiritual ). Hoje , entretanto, a compreensão conceitual se alargou, tornando-se como intuito da entidade, não apenas suprir as necessidades primeiras dos seres, mas tratá-los de modo mais holístico. Para tanto, a entidade fez uma pesquisa, um levantamento das necessidades dos alvos de suas ações ( a maior parte localizada na favela da Borborema ). “Dizíamos sempre aos assistidos que não prometíamos nada, mas estávamos ali para trabalhar com eles e não para eles.” Afirma Lúcia.
Assim, a entidade possibilita atividades voluntárias em praticamente todos os campos profissionais. Há o auxílio a gestante, por exemplo, mas não de modo substitutivo, isto é, a mãe tem de estar realizando o pré-natal, e comprovar isso, com um clínico de sua escolha. A UNILUZ apenas entra com as orientações necessárias às gestantes e num trabalho de valorização da auto-estima e esclarecimento das mesmas.
A promoção social também responde por aulas de reforço escolar, mas também nesse caso não de maneira a substituir a escola, apenas uma ajuda àqueles alunos com dificuldade de aprendizado. “Muitos estudantes da escola da Borborema, onde mais atuamos, chegam à quarta série com dificuldade de leitura! Nós os auxiliamos, através do voluntariado, nesse sentido.” Completa Lúcia.

Para os candidatos a voluntários, não há limites de idade nem de formação especializadas, todos são bem-vindos. Há ,além das áreas supra-citadas, uma gama enorme de possibilidades. Pode-se, também, ajudar em todo processo de confecção da sopa que é distribuída aos mais necessitados duas vezes por semana.
Para finalizar, pode-se apenas acrescentar que as vivências e experiências com voluntariado têm demonstrado bons resultados, não só na UNILUZ , mas em todas as entidades que possibilitam essa forma de integração. Trata-se de caminho único e riquíssimo que vale a pena ser trilhado.



1-www.uniluzpe.org.br
2-www.febnet.org.br



Texto de Marcos André Carvalho Lins
Imagens de Osvaldo Barreto

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