segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CÉSIO 137 – PARTE II


Foto: Sede administrativa da CNEN em Abadia de Goiás.

AS SEQUELAS

As seqüelas deixadas pelo segundo maior acidente radiológico do mundo foram apresentadas de imediato, nas pessoas diretamente contaminadas, ou seja, as 4 vítimas fatais do acidente.

Depois de vinte anos, a cidade de Goiânia
ainda contabiliza as conseqüências, no que diz respeito à assistência à cerca de 700 pessoas oficialmente monitoradas pela SULEIDE (Superintendência Leide das Neves).

Segundo a Superintendência, as seqüelas biológicas
, como mutações genéticas, que esse tipo de acidente pode causar, até o presente momento, não foram detectadas, e não se pode afirmar a existência de nexo causal com a radiação disseminada pelo acidente.


Foto: Centro de formação e estudos da CNEN em Abadia de Goiás.

Um alto nível de radiação pode apresentar alterações biológicas como cardiopatias, dermatoses, perda de dentes, problemas ginecológicos e diversas patologias oncológicas e a perda de membro. Não existem estudos comprobatórios de síndromes desenvolvidas sob o impacto de baixa radiação.

Segundo o Dr. José Ferreira Silva, especialista
em medicina das radiações em Hiroxima, superintendente da SULEIDE, não existe doença específica do Césio 137. Os estudos apresentados na literatura médica são referentes a altas doses de radiação.

As principais patologias desenvolvidas
sob altas doses de radiação, e que apresentam um nexo causal direto, é o câncer radio induzido (de sangue e de tireóide), ou seja, leucemia e o carcinoma tireóideo.


As vítimas do acidente são monitoradas
constantemente pela Superintendência, com assistência nas diversas áreas médicas: clínico geral, cirurgião pediátrico, cardiologista, que atendem na própria Superintendência, além de acompanhamento psicológico e de assistentes sociais. As consultas ginecológicas, dermatológicas e odontológicas são prestadas no Hospital Geral de Goiânia.


Foto: Laboratório de pesquisa Radioecológico.

O maior impacto sofrido pelas vítimas, é o psico-social, devido à discriminação da sociedade, nos dias imediatamente subseqüentes ao acidente, e é até hoje uma chaga aberta na vida das mesmas. Aliás, todos os moradores de Goiânia, foram de alguma maneira discriminados nos meses que se seguiram ao acidente, como negativa de estadia em hotéis, contratos de venda e aluguel de imóveis aos acidentados indiretos rescindidos, sem falar nas conseqüências econômicas que o Estado de Goiás teve que enfrentar para superar a tragédia.

O Estado de Goiás vem cumprindo seu papel
assistencial às vítimas, dentro das possibilidades médicas que o Estado oferece, mas as pesquisas continuam, e vale lembrar que a população contaminada começa a envelhecer, cujo processo apresenta uma incidência maior de doenças e se essas doenças são em decorrência da radiação, não se pode afirmar.

Uma questão que depois de 20 anos
ainda atormenta a população goianiense: o nível de radiação em Goiânia é maior que em outro ponto do país?


Foto: Maquete 3 do deposito dos rejeitos radioativos do Césio 137.

Sabe-se que a radioatividade natural no ar nas vizinhanças de uma mina de urânio ou no interior das residências varia consideravelmente com o tempo, o local e as condições climáticas (atmosféricas) e um levantamento feito por físicos especializados indicou que o grau de radiação em Goiânia é menor que a encontrada nas areias monazíticas de Guarapari (ES).


A sede regional da Comissão Nacional
de Energia Nuclear (CNEN), localizada em Abadia de Goiás, mantém o acondicionamento dos rejeitos sob total vigilância e manutenção e a vistoria é feita de três em três meses, não havendo risco de vazamentos, pois as condições de armazenamento seguem padrões internacionais e foram projetados para acondicionamento por 300 anos.

Fato é que essa triste realidade
faz parte da história de Goiânia, e deve servir de alerta a gerações futuras quanto ao uso de equipamentos radiativos sem o devido cuidado.

Goiânia, após 20 anos do segundo maior acidente
radiológico ocorrido no mundo, fora das usinas nucleares, superou o estigma de cidade contaminada pela radiação, e recuperou os índices de crescimento econômico da cidade.

Vejam também:
CÉSIO 137 – PARTE I (O ACIDENTE)
CÉSIO 137 - PARTE III (DISTRIBUIÇÃO DOS MEDICAMENTOS)

Brigitte Luiza é professora e bacharel em direito. Gosta de literatura, música, filmes, filosofia. Pós graduada em Gestão e Políticas Públicas.É de Goiana, descendente de alemães e poloneses.É católica,não carismática. É também colaboradora do site Overmundo.

1 comentários:

jorge de moraes rego ribeiro disse...

Dra Brigite Luiza,, já vai fazer um ano que fizemos manifestação em goiania pelos vinte deste abandono,estou aqui em manaus infelizmente faço parte desta história negra e igual a qualquer outro luto por um principal objetivo RESPEITO é isto que falta a estas autoridades. verbas para abafar construir predios e manipular as informações e manter corruptos não faltará nunca... informo que dia treze mandarei rezar uma missa aqui em manaus e farei camisetas em apoio as associações e em respeito a memoria daqueles que se foram tragicamente. mandarei aviso abraços JORGE MORAES