domingo, 7 de outubro de 2007

Alexandre Santos: um depoimento literário


O engenheiro civil, Alexandre Santos, é autor de 23 livros, entre os quais “O moinho” que ganhou o prêmio da APL em 2007 e foi publicado até em Cuba. Presidente da Academia de Letras e Artes do Nordeste, Alexandre também é membro titular da Academia Brasileira de Autores Solidaristas, é vice-presidente da UBE-PE, editor geral do informativo A VOZ DO ESCRITOR, vice-presidente da Associação de Ensino Superior de Pernambuco, presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e Conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. Entre as comendas recebidas por ele, se destaca a Ordem do Mérito Capibaribe, no grau de comendador. Numa breve conversa com o Veneza de Brasileiros, Alexandre Santos nos concede uma panorâmica visão do cenário cultural pernambucano e nordestino, no que tange à literatura. Decidimos por ocultar as perguntas e focar a estrutura textual no seu depoimento, que nos parece ímpar!

Com a palavra, Alexandre Santos:

“A realização de eventos como o Festival Literário de Garanhuns, do Festival de Poesia de Recife, da FLIPORTO e, agora, da Bienal, reflete a pujança cultural e literária da nossa terra e do nosso povo. Não temos apenas a bienal ocorrendo, mas também, em Paulista, o Festival do Novo Cordel Pernambucano. Vivemos num estado em que a literatura está efervescente, a veia literária do pernambucano e do nordestino está cada vez mais saliente, isso significa, em outras palavras, que vivemos num país onde não há lugar mais para hegemonias de qualquer sorte, vivemos num esquema multipolar , do qual Pernambuco emerge nesse esquema como grande centro de cultura literária. Existe sim uma identidade cultural literária nordestina. Nós temos muitos autores que optaram por refletir a sua sensibilidade, seu sentimento como modo de expressão artística.É claro que não podemos colocar nos autores nordestinos uma camisa de força que os obriguem a refletir seu pensamento sempre do mesmo modo. Existem, por exemplo, pessoas que comungam de determinada forma de expressão através de correntes. Existem o novo cordel, o novo romance, a nova poesia e assim por diante. Eu, por exemplo, faço um tipo de romance que não segue o padrões dos demais. O importante é que há espaço para toda maneira de manifestação literária e que não somos obrigados a falar como os outros. Temos no seio da UBE , a preocupação de revelar novos grupos, novas formas de pensamento. Apenas para se ter uma idéia, na FLIPORTO foi aberto um painel sobre a novas expressões literárias em Pernambuco: No qual tivemos espaço para a poesia visual, a poesia experimental, a poesia marginal e o novo cordel, não são expressões que estão exatamente dentro dos padrões eruditos, mas guardam um potencial mais popular. E esse é o novo caminho. A Academia de Letras e Artes do Nordeste tem basicamente dois desafios: o primeiro quebrar esse maniqueísmo, a dicotomia, entre o que é popular e o que é erudito. A outra é que os autores do Nordeste, espalhados pelos nove estados, possam conviver nessa academia sem perder suas entidades locais. O grande desafio de Pernambuco, nesse contexto, é se destacar, frente a essa estrutura multipolar, sem almejar o ônus de uma nova hegemonia. Os meios de difusão cultural precisam valorizar, e ceder um maior espaço, não apenas ao produto do Sudeste, mas do Brasil como um todo, até porque uma grande massa de consumidores culturais concentra-se no Nordeste. Somos trinta e dois milhões de pessoas! Cada uma delas se sentiria muito bem acolhida, se assistisse na televisão a alguém falando com seu sotaque, o sotaque autêntico, tratando do acarajé, da tapioca etc. Enfim: das suas manifestações típicas. Não se trata de lutar contra, ou de criar novas maneiras hegemônicas, mas apenas de ressaltar os valores da nossa terra, traduzir o Nordeste em prosa e verso.".

Alexandre Santos

Vejam o site:
União Brasileira de Escritores Secção Pernambuco

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