O maior patrimônio cultural de um povo são seus sentimentos, a maneira como cada grupo social expressa o que sente, e o que pensa sobre o que sente, traduz não só uma linha comportamental definida como também uma postura ética enriquecida em nuances como respeito ao próximo e tolerância. Não se pode imaginar o termo Cultura dissociado de uma conduta de aceitação e compreensão das diferenças, sejam essas étnicas, sociais ou de gênero, pelo simples fato de que toda Cultura reflete um sentimento de mundo particular e plural, onde a opinião de cada indivíduo é construída sempre em respeito à necessidade de preservação do todo, numa relação inegavelmente dialógica. Em outras palavras, dentro de qualquer percepção de Cultura há de se levar em conta a somadas vontades individuais, e dos sentimentos que as condicionam, dentro de uma perspectiva teleológica de edificação de um futuro melhor e manutenção da sua força motriz: a Esperança. Em sendo o Homem um animal social e temporal, não se pode elidir do conceito de Cultura a imensa e inesgotável discussão sobre a descoberta pessoal de cada um dentro de uma realidade “imposta” por outrem, pois é sabido que quando se nasce já se “pega o bonde andando”. Portanto, é justamente do conflito entre os sentimentos e a realidade aparente, exígua e instável, que se produzem as práticas culturais, que, uma vez reiteradas no tempo, acabam por influenciar a própria maneira de sentir e de exteriorizar esses mesmos sentimentos. Cultura, então, pode-se dizer, apenas existe quando em função de uma convivência harmônica e partidária entre seres desiguais que comungam da certeza fundamental: ninguém é melhor do que ninguém, pois eu só posso começar onde termina o outro. Viva a diversidade!
Marcos André Carvalho Lins
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